Experiência de ser avó

Experiência de ser avó

A ideia de ser avó, inicialmente é perturbadora, inquietante, e até mesmo assustadora.

É impossível separar a palavra “avó” do conceito de “pessoa mais velha”, “idosa”, e por vezes até, simplesmente “velha”.

É com certeza o primeiro pensamento que vem à nossa cabeça quando pensamos que um dia vamos ser avós. Até por que a lembrança que temos das nossas avós, são de pessoas idosas.

No entanto, como em tudo na vida, temos a oportunidade de marcar a diferença, e mudar conceitos.

No meu caso, embora que adorei a experiência de ser mãe, várias vezes, e que em cada uma delas, aproveitei para aprender e enriquecer a minha experiência de vida enquanto pessoa, mulher, esposa, dona de casa, agenda familiar 😊, ser humano, mãe… ser avó era algo que me assustava.

E várias vezes dizia, aos meus amigos e familiares de forma engraçada, que quando fosse avó, iria dizer aos meus netos para me chamarem de tia, porque no momento que alguém ouvisse me chamarem de avó, eu seria rotulada com a conotação pejorativa de “velha”.

Mas a verdade dos factos não foi essa, quando os meus filhos começaram a casar, quase que de forma instantânea, desejei ser avó.

Talvez como uma forma de compensação pelo facto de ver os filhos crescerem, saírem de casa para constituir família, e a saudade de os sentir como “meus”.

Há quem diga que o amor de avó é superior ao de mãe.
Não concordo!!

São amores e responsabilidades completamente diferentes, e nenhum se sobrepõe ao outro.

Quando a nossa filha está grávida, é um momento de reflexão…
“Será que fui uma boa mãe, e que ela vai querer reproduzir como mãe, aquilo que viveu enquanto filha?”,
“Será que pelo contrário ela não vai querer que o seu filho passe pelas mesmas coisas que ela?”,
“No que é que eu posso ajudar? Dar dicas? Sugestões do que fazer em determinadas ocasiões?”

Sentimos as dores dela, e em muitas situações de dor, desespero, preocupação ou ansiedade, se tivéssemos a possibilidade de escolha, trocaríamos de posição, sem exitar.

Ser avó é reviver.
Ter a oportunidade de fazer pelos nossos netos aquilo que muitas vezes não nos foi possível fazer pelos filhos. É como um renovar de forças para que sejamos aquela avó que vai marcar a vida do seu neto. Para além de ser “avó”, pode ser uma amiga, companheira, protetora, conselheira…

Tenho o coração cheio de tanto amor…. Tenho um neto lindo que amo, e outro que está quase a chegar.

Deus tem sido tão bom e generoso comigo, e provado ser verdade que quando somos fiéis e o colocamos em 1º lugar, Ele nos acrescenta com as bênçãos que lhe pedimos, e aquelas que nem imaginámos. Sou realizada!! 😊


“Mãe de mão cheia”

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A minha narrativa

A minha narrativa

Todos temos uma narrativa.
Uma história.
A nossa história.

Ora, noção tem que ser tida que não somos perfeitos, pelo contrário.
Somos imperfeitos, calejados, já completamente preenchidos por nódoas negras que nós próprios criámos.

Caímos sem querer, às vezes por não saber, outras por não conseguirmos controlar, outras porque em nós não há força para mais.

Erros esculpidos em nós, que tentam nos definir à força, que tentam ser o que nós somos.
Como se eu fosse a soma dos erros e não a soma do meu tentar me levantar e continuar.

As falhas falam alto, tentam prender o que sou ao que já fui, ao passado que deixei ganhar, e que ainda tento esquecer no presente e futuro que quero escrever.
Quando o que eu fiz tenta prender quem agora sou, como é que posso responder?
Posso mudar o que fiz? Não. Podia ter tentado melhor? Podia.
Percebo agora que havia outra saída, algo melhor a fazer? Sim.

Mas não posso voltar atrás. Não posso mudar o passado, os erros, a dor que causou, a maneira como me afetou.
Contudo, posso mudar o agora, posso mudar a forma como o passado me afeta, posso fechar portas.

Errei? Todos erramos. Arrependo-me? Completamente, faria diferente agora. Aprendi a lição? A lição toda.

Tentamos continuamente fugir do passado, tentamos continuamente fugir dos erros que cometemos, da narrativa que vivemos.
O problema é que não podemos fugir eternamente, em algum ponto, sem mais força para correr, somos apanhados e consumidos novamente.
Não podemos fugir para sempre.
O que me importa fugir? Não quero ficar limitada ao que fui, não quero deixar que o que fui defina o que sou. Não quero continuar a fugir para sempre. Com medo de ser apanhada, de ter que olhar, de ter que enfrentar.

Tu queres?
Então, como??? Como?
O melhor nunca vai ser fugir, o melhor vai ser enfrentar de frente e não o deixar ganhar.
Algo anterior não define o meu interior.

Eu tenho em mim o poder de dizer que não: não me afetas mais, não me persegues mais, não me maltratas, não me puxas para baixo, não define quem sou, não ditas quem vou ser.

Aconteceu, passou, foi encerrado. Capítulos fechados não voltam a ser abertos.

Por isso, a ti meu passado, erros cometidos, fases menos boas, eu me despeço de vocês. Não porque fujo, mas porque frente a frente vos digo: eu vivi, sofri, mas, acima de tudo aprendi, sobrevivi e ainda tenho tanto para viver. Não vais ser tu a controlar a minha narrativa, esse inimigo que na sombra paira ficou para trás, para a frente só dias de sol e de aprendizagem.
Aconteceu, mas acabou, errei, mas melhorei, e nunca mais vou deixar que algo me controle sem ser Aquele que tudo controla. Porque Ele verdadeiramente me perdoou, então eu perdoo-me a mim e entro em paz contigo, oh passado.

A minha narrativa não me controla, eu é que controlo a minha narrativa.

“Lady M”

#ladym  #narrativa #erros #história