O dia em que a minha paciência entupiu

O dia em que a minha paciência entupiu

Não é incomum as criancinhas fazerem traquinices e aumentarem a probabilidade em 200% de fazerem crescer cabelos brancos aos pais antes de chegarem aos 40. Note-se que só falei nos pais, porque eu como mãe devo ter “paciência de Jó”. É que nestes fios de cabelo que Deus me deu, continua tudo fresquinho e sem nuances brancas.

Mas a verdade é que existem crianças mais calmas, mais ponderadas e mais “pés assentes na terra”. E há outras que… não. E eu tive a oportunidade de dar à luz a esses dois extremos.

Mas não vos enganeis. O “pacientómetro” tanto bate forte numa como em outra. E um dia essa paciência entupiu. Literalmente.

Em tempos de confinamento que já lá vão, a mais nova chamou-me intrigada porque algo de errado se passava com a sanita. Lá fui eu. Olhei e vi que estava entupido de toalhitas. Daquelas húmidas e perfumadas que os peritos não aconselham a deitar pelo cano abaixo. Mas então ali estávamos.

“O que é que aconteceu aqui?”
“Eu não faço ideia mamã…”
“A embalagem inteira de toalhitas está ali dentro. Quem é que fez isto?”
“Não sei mamã…”

Mas nós mamãs, sabemos. Sabemos exatamente o milésimo de segundo em que eles nos estão a mentir. E com a minha paciência já entupida, voltei a perguntar o que aconteceu.

“Ok… Fui eu…”
Motivo? Não foi identificado.

Só sei que eu e a minha luva de borracha passámos um momento bonito a tirar o quilo de toalhitas de dentro da sanita.
Não foi um trabalho prazeroso nem tão pouco gratificante. Mas alguém tinha que o fazer.

Quando sentes que a tua paciência entupiu, nada melhor que respirar fundo e.… desentupir. Não é fácil, mas alguém tem que o fazer. E esse alguém és tu. Escrevo isto enquanto me olho no reflexo do monitor que faz de espelho.

Desentope tudo. Descomplica tudo… para que esse tudo possa fluir no sentido certo.
E contenta-te com um sincero “Desculpa mamã, não volto a fazer isto.”

É confiar e seguir em frente.

“Mais ainda, alegramo-nos nos nossos problemas, porque os problemas produzem a paciência; e a paciência produz a firmeza de carácter nas dificuldades e a esperança.
Esta esperança não nos engana, porque Deus encheu-nos o coração com o seu amor, por meio do Espírito Santo, que é dom de Deus.”

Romanos 5:3, 4


“Flor de sal”

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Ser mãe aos 20, 30 e 40 anos

Ser mãe aos 20, 30 e 40 anos

Sou uma mãe de mão cheia, que começou a sua jornada aos 20 anos.
Tive três filhos muito próximos, aos trinta voltei a ser mãe, e na década seguinte vivenciei novamente essa experiência maravilhosa.
Sinto-me privilegiada, porque trouxe ao mundo cinco filhos maravilhosos, todos eles com um propósito de vida.

Ser mãe é um talento, uma missão, uma chamada, que deve ser desenvolvida como tal.
A minha experiência como mãe em 3 décadas diferentes, é muito diferente…

Aos vinte anos, quando temos três filhos pequenos, e temos de dar banho a todos ao mesmo tempo, e também as refeições são em série, tal como o processo de vestir, levar à escola. E temos um marido que também não podemos descurar, porque afinal, eu casei com ele, e devo amá-lo e honrá-lo, inclusive com a minha disponibilidade para com ele, muitas vezes é extenuante.

Mas quando me deitava à noite, acontecia um fenómeno incrível… Deus renovava as minhas forças, e no dia seguinte, estava como nova, pronta para mais uma batalha.
E todos os dias vivia essa mesma experiência… As poucas horas dormidas, representavam todo um rejuvenescimento sobrenatural.

Aos trinta anos, quando voltei a ser mãe, já foi um pouco diferente, o corpo já demorou a recuperar a forma inicial, as forças já não eram renovadas com a mesma facilidade, a paciência às vezes faltava…
O esforço era muito maior, assim como a dificuldade em conciliar todas as coisas… Marido, filhos, casa, empresa, igreja, e a mim própria como pessoa e como mulher.

Aos quarenta, quando tive a minha última princesa, ainda mais difícil foi… O corpo não tem a mesma força e também emocionalmente é tudo mais difícil que digerir.
Mas… foi mesmo um presentinho que Deus me deu.
Ela é independente, meiga, crescida, perspicaz, intuitiva, …, e muitas vezes até faz de mãe.

No outro dia, eu estava tão cansada, mas como habitualmente, tento guardar isso para mim, e ela chegou da escola, olhou para mim, deu-me um beijo, uma festinha, e perguntou “Porque é que estás triste, mãe? Tinhas saudades minhas? Tu sabes que te amo”.
E de repente, lembrei-me da responsabilidade e do privilégio de ser mãe, esposa, mulher, e de ter Deus na minha vida, que me ajuda, capacita e fortalece em todos os momentos, mesmo quando parece que as forças e o ânimo, querem desvanecer-se.
Sorri, e respondi “Está tudo bem, apenas estava pensativa, imaginando como seria vazio o meu mundo sem a família maravilhosa que Deus me deu”.

 

“Mãe de mão cheia”

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