Eu com mais de 40 com ela aos 17

Eu com mais de 40 com ela aos 17

Filhos sem dúvidas é uma bênção de Deus pra nossas vidas!!

Que mãe pode negar isso??

Mas, mesmo sendo uma bênção, mesmo com todo amor incondicional, os filhos muitas vezes nos deixam doidas, de cabelos brancos e em pé!

A todo momento fazem teste drive com a nossa paciência e com o nosso coração também!

A cada dia é sempre um desafio, cada fase é diferente, cada fase tem suas dificuldades e seus aprendizados.

Eu sempre desejei que minha filha, meu bebé, crescesse logo, no meu inocente engano pensava que seria mais fácil.

Em parte, se torna mais fácil, ela ficou independente já não precisa da mãe 24 horas.

Entretanto, junto com essa independência boa, surge novos desafios.

O desafio de ser mãe e amiga, o desafio de resolver conflitos, desafio de reconhecer os meus erros, além do medo de falhar e o medo de perder o controle da situação.

Minha filha cresceu na Igreja, louvo a Deus por isso, mas é um engano pensar que por isso não haverá problemas, mesmo porque ela é jovem em um mundo cheio de tentações, fascínios e mentiras, sem mencionar que por ter 17 anos, acha que sabe tudo.

Mas hoje aprendi a ser um tipo de mãe diferente pra cada situação, posso dizer que tenho várias capas.

Quando preciso ser amiga da minha filha, visto a capa de jovem, pra descer ao nível dela, falo como jovem, faço brincadeiras de jovens, até aprendo o linguajar dos jovens de hoje, pra me enquadrar no mundo dela e tentar desvendar o que se passar naquela cabecinha.

Se for preciso corrigir ou ensinar (isso é quase sempre), visto a capa de mãe que guarda o sorriso e faço ela entender a importante dos princípios, e entender que mesmo que ela já cresceu, quem manda ainda sou eu e ela tem que seguir as minhas regras.

Se o assunto é a sua caminhada com Deus, uso a capa da mãe que viveu no mundo sem Deus, que sofreu, que aprendeu tudo do jeito mais difícil e mostro que Deus é o melhor caminho sempre.

Agora se o assunto for sobre garotos, visto uma capa que… prefiro não comentar rs rs rs rs.

Enfim, como eu consigo?

Sem Deus não seria capaz! Peço a Ele sabedoria todos os dias para que eu posso desenvolver o meu papel como mãe, de acordo com a vontade e os ensinamentos Dele. Efésios 1:17.

Mesmo com todos os desafios, não posso reclamar, pois o meu relacionamento com minha filha é de muito amor e confiança.

Mas confesso que depois dos 40 acompanhar ela aos 17, me fez reforçar o estoque de tinta para cabelo!!

“De repente 40”

#derepente40 #mãe #filha #adolescente #17anos

Comentários

Querido Diário…

Querido Diário

Estamos em 1993. Eu com os meus 11 anos, franzina e com óculos de massa maiores que a minha cara, inicio o meu primeiro diário. Sim. Daqueles com um cadeado que se abre com um gancho, capa grossa com ursinhos e folhas perfumadas.

Talvez a maioria das miúdas ficasse com o diário a meio para nunca mais voltar a escrever nele, mas eu escrevi diários até aos meus 18 anos (e antes que deliberadamente me chamem “nerd” enquanto tossem a fingir, leiam isto até ao fim).
Escrevi uns 10 ou 11 deles. Completos.

Ficaram registados vários momentos marcantes…
Como me senti ao ter chegado o “Benfica” pela primeira vez (quem é mulher sabe…);
Como foi o meu primeiro beijo (adianto que foi deprimente);
Como era o meu dia-a-dia na escola – do 6º ano ao 12º ano!
Como superei desilusões amorosas;
O momento em que conheci o meu atual marido (eramos miúdos de 14 anos, que lindos);
Poemas, Teses sobre a Vida e sobre Parvoíces.

Aliás, sempre tive uma regra própria: nunca registar nem descrever maus momentos, para que no futuro não me lembrasse deles. Mas eles ficam… Mas não moem, por isso, continuemos.

Naquela altura, o meu sonho era ter uma filha para que numa espécie de “herança-concedida-estando-ainda-viva”, ela pudesse ler e conhecer a sua mãe sem filtros (eu lá sabia o que isso era naquela altura…) e quem sabe, o meu eu de 12, 14, 16 ou 18 anos, pudesse ajudá-la a ultrapassar ou compreender as cenas da vida.

A boa notícia é que ela (a mais velha) já sabe ler e poderia se identificar já com o primeiro diário! Teria tanto para ler… E eu ficaria tão feliz, assistindo a um sonho concretizado de lágrimas nos olhos e mão no peito.

A má notícia é que todos os diários neste momento devem estar compactados num aterro sanitário a largos metros de profundidade do solo. Ou numa perspetiva mais romântica (mas igualmente triste), as várias páginas repletas de sonhos e momentos únicos de adolescente, devem ter sido transformados em rolos de papel de cozinha.

O que aconteceu? Perguntam vocês.
A minha mãe despachou-os numa limpeza. Daquelas limpezas em que vai tudo atrás.

Não esperavam este desfecho, pois não? Nem eu.
Mas aqui estou, porque eu não sou aquele diário (sim, eram mais de 10, mas isso agora não interessa). Mas sabem que mais?

Passará o céu e a terra, [incluindo os diários escritos por uma adolescente qualquer] mas as Minhas Palavras jamais passarão”. (Mateus 24:35)

Guarda o que foste. Esquece o que não acrescenta. Vive o presente como um Presente DELE.
Com ou sem diário, cá continuamos a deixar as nossas marcas no dia-a-dia!

P.S. E sim. A minha querida mãe está perdoada.

 

“Flor sem sal”

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